Miguel Portas
1958-2012
Faleceu hoje, dia 24 de Abril de 2012.
Economista e activista, Miguel Portas começou a carreira no jornalismo como redactor do Semanário 'Expresso', em 1981, onde esteve durante 14 anos. Em 1995 integrou a equipa fundadora da revista 'Já' e 'Vida Mundial', que dirigiu até 1999. Foi co-autor e apresentador de duas séries documentais na RTP: 'Mar das Índias', em 2000; e 'Périplo', 2004. Escreveu ainda três livros de crónicas e reportagens que retratavam precisamente os anos em que viajou pelo Mediterrâneo para estes programas de televisão.
Aos 15 anos, durante a ditadura do Estado Novo, assumiu-se um defensor da democracia e chegou a ser preso pela PIDE. Anos mais tarde, já em 1974, tornou-se militante do PCP, com o qual viria a romper em 1991 em protesto contra o apoio do partido ao golpe de Estado na União Soviética. Juntou-se ao grupo Plataforma de Esquerda que, em 1994, mudou de nome para Política XXI. Cinco anos mais tarde, juntamente com o PSR, a UDP e um grupo de independentes, nasceu o Bloco de Esquerda, onde militou até morrer.
Em 1999, Miguel Portas apresentou-se como cabeça-de-lista do Bloco nas primeiras eleições europeias em que o movimento recentemente criado participou. Teve 1,74% dos votos.
Já em 2004 foi eleito para o Parlamento Europeu, onde desde 2009 integrava a Comissão de Orçamento com as funções de vice-presidente da Comissão Especial do Parlamento Europeu para a Crise Financeira, Económica e Social.
Em 2010 recebeu um diagnosticado em Bruxelas que viria a ser fatal: cancro do pulmão. Foi submetido a uma intervenção cirúrgica em Portugal mas nunca abandonou as suas funções de eurodeputado.
Miguel Portas, nasceu a 1 de Maio de 1958, em Lisboa, filho de Nuno Portas e Helena Sacadura Cabral e irmão de Catarina e Paulo Portas, ministro dos Negócios Estrangeiros e líder do CDS, precisamente a força política rival do BE. Passou parte da infância no Porto, onde esteve entregue aos cuidados do pai, enquanto o irmão, Paulo Portas, ficou em Lisboa com a mãe.
Regressou a Lisboa para estudar e aos 13 anos conheceu Francisco Louçã durante uma Assembleia de Estudantes na escola secundária, numa relação de amizade que se manteve até hoje, dia em que o dirigente do BE enaltece a força e a determinação de Portas nas redes sociais, com uma mensagem de apoio: “Viveu a vida intensamente e com gosto. Foi dirigente do Bloco e eurodeputado até ao último momento. Incentivou-nos da cama do hospital. Combinou a sua viagem que faltava, à Birmânia, e que nunca fará. Despediu-se dos filhos”. Miguel Portas tinha dois filhos.
“Encarou a sua própria doença como fazia sempre tudo, da política ao jornalismo: de frente e sem rodeios. Teve uma vida intensa e viveu-a intensamente. Durante toda a sua doença continuou sempre a cumprir as suas responsabilidades e estava, neste preciso momento, a preparar o relatório do Parlamento Europeu sobre as contas do BCE”, escreve a Comissão Política do Bloco de Esquerda em comunicado, anuciando para os próximos dias uma homenagem solene ao seu membro-fundador.
