A actual conjuntura económica, em Portugal, não tem sido favorável ao fomento e à manutenção do emprego. Todos os dias ouvimos e lemos notícias de empresas que vão à falência e de pessoas que ficam sem os seus empregos. Conheço várias pessoas que estão desempregadas, e sei quais as suas dificuldades.
Sem qualquer pretensão científica e apenas baseando-me no universo das pessoas conhecidas, organizei uma lista do que me parece que acontece nos tempos subsequentes ao despedimento, no que concerne as pessoas da dita "meia-idade".
Quando uma pessoa "de certa idade" se vê confrontada com o desemprego, passa por diversas fases.
Incredulidade:
- "Não posso acreditar!" - É difícil aceitar a ideia de que não é imprescindível na empresa, ou mesmo apenas necessário. Afinal o profissionalismo, a fidelidade e lealdade para com a empresa não tem qualquer valor? Então, de repente, o nosso trabalho deixou de ter valor para a empresa? Porquê? Que fiz de mal?
Pânico:
- "E agora, que vou fazer à vida?" - Subitamente, todas as contas para pagar aparecem na nossa mente. As prestações da casa e do carro, a escola dos filhos, a alimentação... Tantas coisas que temos para pagar, porque tínhamos como garantido o ordenado no final mês... E agora? Como vamos fazer?
Aceitação:
- "O.K. Vou procurar novo emprego." - Afinal tem habilitações e experiência. Não deve ser difícil.
Indignação:
- "Não encontro nada!" - Ao fim de algum tempo a enviar currículos para todos os sítios de que se consegue lembrar, de responder a anúncios, de fazer candidaturas espontâneas e de não receber nenhuma resposta, começa a ficar furioso pois as suas qualificações não são apreciadas.
Constatação de um facto:
- "Sou velho para trabalhar e novo para a reforma!" - Após muitas negativas de entrevistas e da análise de anúncios de emprego, verifica que ninguém quer empregados de meia-idade.
Desespero:
- "Ninguém me quer como empregado. Que vou fazer?" - Quando chega a esta situação a pessoa de "meia-idade" já tentou de tudo. Enquanto que no princípio ainda tentava encontrar emprego na sua área, agora já não escolhe e mesmo assim não consegue trabalho.
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Iniciativa:
- "Vou abrir o meu próprio negócio" - Começa a procurar meios de criar o seu próprio trabalho, recorrendo às suas economias, a empréstimo de familiares e/ou amigos ou crédito bancário.
Desilusão:
- "Não consigo." - Não é possível desenvolver o projecto, seja por falta de capital ou por verificar que não é economicamente viável. É muito difícil conseguir empréstimo bancário quando se tem "uma certa idade". Por vezes, tenta investir num negócio próprio, mesmo sabendo que não irá tirar dividendos inicialmente, mas com a esperança de poder vir a ter sucesso. Os juros são altos, os impostos também, a entrada de dinheiro é fraca, a consequência é fechar o negócio.
Resignação:
- "Não sei que mais fazer." - Nesta altura muitos casamentos acabam; por vezes voltam para casa dos pais, quando tal é possível, juntando o desespero de estar desempregado à humilhação do retorno ao lar paterno, nessa situação.
Indiferença:
- "Não quero saber disso para nada!" - Deixa de procurar emprego activamente. Começa a isolar-se, tanto devido (à vergonha) da falta de emprego, como devido (ao vexame) da falta de dinheiro.
Depressão:
- "Não valho nada!" - Isolamento; falta de higiene e de cuidado na apresentação; sentimento de falta de valor pessoal; possível aparecimento de vícios (alcoolismo, drogas, anti-depressivos, etc.)
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