Sempre ouvi dizer que não é fácil ser mulher.
Pessoalmente não tenho razão de queixa. Nasci mulher. Gosto de ser mulher e não queria ser outra coisa. Como antropóloga sei que existem sociedades em que ser mulher é o pior que pode acontecer. É uma maldição. Uma desgraça. Uma infelicidade. Mas não estamos a falar desses casos.
Pessoalmente não tenho razão de queixa. Nasci mulher. Gosto de ser mulher e não queria ser outra coisa. Como antropóloga sei que existem sociedades em que ser mulher é o pior que pode acontecer. É uma maldição. Uma desgraça. Uma infelicidade. Mas não estamos a falar desses casos.
Tive a felicidade de nascer numa família que gostava de meninas. Fui a primeira
filha, primeira neta, primeira sobrinha. A mais velha. Cresci com a ideia de
que tinha de ser o exemplo para os outros que nasceram depois de mim. Depois de
mim, nasceram os meninos, mas já não me tiraram o "real" direito de
ter nascido em primeiro lugar.
Como menina, sempre me senti amada, protegida, cuidada. Era vaidosa,
barulhenta, "maria-rapaz" pois só tinha meninos para brincar.
Lembro-me de andar a correr pela casa toda, perseguida pelos meus primos e
depois pelo meu irmão e irmã, e ouvir a avó a dizer para ir-mos correr para o
quintal, para não partir nada em casa, e depois, no quintal, subia-mos
às árvores e ouvíamos dizer para ir-mos para casa e estar-mos
quietos. Enfim, isto para dizer que tive uma infância normal, sem traumas
por ter nascido mulher.
Cresci, estudei, tornei-me adolescente, namorei, casei, comecei a
trabalhar, fui mãe duas vezes e pouco tempo depois avó, e avó outra vez. Tudo
normal. Tudo numa boa, sem problemas.
E de repente, olho para mim e tenho 56 anos.
E estou naquele meio-tempo, em que não sou uma coisa nem outra.
Vamos a ver se nos entendemos: eu gosto da idade que tenho. Até porque a alternativa não me agrada muito. Melhor ter 56 ou mais, que estar mortinha da silva. Mas o que me preocupa, é que os meus 56 anos exteriores, não batem certo com os meus 25-30 interiores.
Vamos a ver se nos entendemos: eu gosto da idade que tenho. Até porque a alternativa não me agrada muito. Melhor ter 56 ou mais, que estar mortinha da silva. Mas o que me preocupa, é que os meus 56 anos exteriores, não batem certo com os meus 25-30 interiores.
No meu imaginário, uma avozinha de 56 anos, deveria ter o cabelinho branco preso num carrapito, um lindo avental branco cheio de rendinhas a proteger o seu corpinho rechonchudo, enquanto numa bela e grande cozinha faz pilhas de bolos e bolachas para os netinhos comerem quando vêm da escola.
Na prática, as minhas netas têm uma avó de cabelo castanho, que nem sequer é pintado, que anda quase sempre de jeans, tee-shirt e ténis ou bailarinas, e quando comem bolachas, estas são de pacote.
Mas isto não é o pior.
O pior são as revistas.
Adoro comprar e ler revistas.
Mas ultimamente deparo-me com um problema: as revistas são feitas para mulheres de 20 anos com 30 quilos de peso e transtornos de personalidade.
Pondo de lado a personalidade, que fica para outra ocasião, tratemos da idade e
do peso.
20 anos e 30 quilos. O que elas vestem só elas podem vestir. Eu gosto de comprar revistas para poder tirar ideias de roupas para comprar. Mas não me parece que vá sair por aí com uma micro-saia de 30 centímetros e uns sapatos plataforma de 15 centímetros. Ou com vestidos que ficam pelo meio da coxa. Não sei... não me parece prático.
20 anos e 30 quilos. O que elas vestem só elas podem vestir. Eu gosto de comprar revistas para poder tirar ideias de roupas para comprar. Mas não me parece que vá sair por aí com uma micro-saia de 30 centímetros e uns sapatos plataforma de 15 centímetros. Ou com vestidos que ficam pelo meio da coxa. Não sei... não me parece prático.
Também andei a ver catálogos on-line de roupa low-cost (sim, porque nem todos
os que têm mais que 50 anos têm rios de dinheiro, para comprar roupa, sapatos e
malas de marca) e as coisinhas são todas super, hiper, mega,
"piquinininhas". Não encontrei nada que fique, sei lá, pelo joelho. E
eu até sou baixinha! Se fossem grandes, podia cortar e fazer uma bainha, mas
assim, que hei-de fazer???
O que é que uma avó de 56 anos pode vestir sem parecer ridícula? Não quero parecer que tento ser uma adolescente (graças a deus, não sou - nem sei como sobrevivemos à adolescência), mas também não me vejo a andar com saias pelo meio da perna e coisas no género... a vida é mesmo complicada nesta idade...
